03 março 2008

Análise >> Rambo IV (Rambo)

Quem já conhece a série de filmes protagonizada por Sylvester Stallone já sabe o que esperar de Rambo IV. Porém, obviamente, seria impossível fazer um herói igual ao de 20 anos atrás. Afinal, nossa estrela está com 61 anos e até confessou o uso de hormônios durante as filmagens para ganhar massa muscular. Para compensar a idade do astro, uma enxurrada de sangue invade a tela, tornando o filme mais violento do herói – o que não é sinônimo de qualidade. Além de protagonizar, Stallone está à frente da direção, roteiro e produção do longa-metragem.

O solitário John Rambo (Stallone) parece ter desistido de lutar contra seus conflitos interiores e vive isolado no norte da Tailândia, levando uma vida simples e solitária nas montanhas. Apático e alheio aos problemas que o cercam, como a guerra civil na Birmânia, ele sobrevive pescando e capturando cobras venenosas para venda. Um grupo de missionários fica sabendo sobre as habilidades do herói norte-americano e pede para levá-los pelo rio Salween até os refugiados da tribo Karene, já que o caminho por terra se tornou extremamente perigoso por causa das minas terrestres...



28 fevereiro 2008

News >> Greve dos roteiristas está oficialmente encerrada

A greve dos roteiristas de Hollywood está oficialmente encerrada. Mais de 90% dos profissionais associados do Writers Guild of América votaram “sim” ao novo acordo, válido até 1º de maio de 2011.

Segundo o presidente do sindicato, Patric Verrone, o acordo é um novo começo para os escritores na era digital. Já para a Alliance of Motion Picture and Television Producers (AMPTP), o objetivo agora é produzir trabalho de qualidade, sem interrupções.

Os roteiristas voltaram ao trabalho no dia 13 de fevereiro, após mais de 100 dias de greve. Estima-se que foram perdidos, com a paralisação, cerca de 2,5 bilhões de dólares só em Los Angeles.

Graças ao acordo, foi possível salvar a festa de entrega do Oscar e colocar a atual temporada de seriados de volta ao trabalho.

24 fevereiro 2008

Análise >> Senhores do Crime (Eastern Promises)

Depois do ótimo Marcas da Violência, o diretor canadense David Cronemberg e o ator nova-iorquino (filho de pai dinamarquês) Viggo Mortensen voltam novamente a trabalhar juntos. E, outra vez, com excelentes resultados. Em Senhores do Crime, Cronemberg troca o árido interior norte-americano de seu filme anterior pela nublada e chuvosa Londres para contar novamente uma intrigante trama de traição, vingança e violência. Mas com charme e fineza cinematográfica.

A história mostra Anna (a inglesa Naomi Watts, de King Kong), uma enfermeira que se enternece com o nascimento de uma garotinha órfã no hospital onde trabalha. Ela presencia o parto da menina e a conseqüente morte da mãe - uma adolescente viciada em drogas - e não consegue manter o distanciamento profissional nesta situação tão trágica. Anna se envolve pelos fatos e sai solitária em busca de informações que possam localizar algum parente do bebê. Um diário escrito em russo encontrado na bolsa da mãe morta faz a ponte entre a bem intencionada enfermeira e o implacável esquema criminoso da máfia russa sediada na capital inglesa...

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Senhores do Crime contrapõe o homem comum (no caso, a mulher), frágil, isolado e solitário junto ao poder quase ilimitado de organizações criminosas que agem não mais à margem da sociedade, mas livremente dentro dela. O perigo mora ao lado e o poder público, que deveria se manifestar pela lei e pela ordem, parece cada vez mais um ideal dos mais distantes a ser alcançado.

O tema explosivo é tratado com elegância pelo competente Cronemberg, que vem ultimamente abandonando seu cinema de aberrações, construído pela fama de filmes como A Mosca e Gêmeos – Mórbida Semelhança, só para citar dois exemplos. Aqui, os personagens são contidos, fleugmaticamente britânicos. Quase gélidos. Uma nuvem de decepção e tristeza parece pairar sobre todos e cada um deles, em seu devido tempo, terá sua história desvendada pelo ótimo roteiro. A cidade de Londres também assume um papel importante na criação deste clima, graças também à bela luz encontrada pelo veterano diretor de fotografia polonês Peter Suschitzky, habitual colaborador de Cronemberg e fotógrafo, entre outros, de Star Wars: Episódio V - O Império Contra-Ataca.

Esbarrando nas tradições clássicas do film noir, Senhores do Crime conta ainda com um excelente e multinacional elenco de peso, que, além de Naomi e Mortensen (indicado ao Oscar de Melhor Ator por este filme), traz também papéis de destaque para o alemão Armin Mueler-Stahl (de Avalon) e o francês Vincent Cassel, que estará no próximo filme do brasileiro Heitor Dhalia.

A lamentar, somente o título em português. Senhores do Crime, além de sugerir apenas mais um filme comercial de ação e pancadaria (o que está longe de ser o caso), perde a chance de traduzir o poético Eastern Promises, algo como “promessas do leste”.

22 fevereiro 2008

Análise >> Os Indomáveis (3:10 to Yuma)

Os Indomáveis é uma excelente refilmagem de Galante e Sanguinário, clássico faroeste de 1957. Sob a direção de James Mangold (Johnny & June), o longa ressuscita o gênero de maneira exemplar. Apesar dos westerns nunca terem morrido totalmente por causa de grandes produções, como Os Imperdoáveis (1992), de Clint Eastwood, nas décadas de 50, 60 e 70 eram febre nos cinemas e um de seus maiores astros era John Wayne.

Dan Evans (Christian Bale) é um veterano da Guerra Civil norte-americana extremamente honesto, que tenta sustentar sua esposa e dois filhos por meio de um rancho que sofre problemas com a seca. Endividado, seu filho mais velho William (Logan Lerman) não se conforma com a atitude do pai e vive criticando sua posição passiva diante do problema. Para provar que é um homem corajoso e, ainda por cima, ganhar um bom dinheiro, Evans se oferece para escoltar o maior fora-da-lei do Velho Oeste: Ben Wade (Russell Crowe). Líder de uma quadrilha de assaltantes e assassinos impiedosos, ele é capturado com a ajuda do próprio Evans e tem de ser levado no trem das 3h10 para Yuma - daí o título original 3:10 to Yuma -, onde será julgado e enforcado...

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A viagem não será nada fácil. Além dos membros da gangue que querem libertar Wade, Evans terá de defender a vida do prisioneiro de vários outros perigos. Tantas ameaças fazem com que eles se aproximem de uma maneira bem peculiar.

Todo bom filme de faroeste deve seu sucesso a um talentoso ator e um competente diretor que saiba permear as cenas de ação sem cansar o público, seja com o excesso ou com ausência de tiros. Afinal, o roteiro sozinho, por mais bem elaborado que seja, não segura um western. No caso de Os Indomáveis, o pacote vem completo. Mangold cumpre muito bem sua função, de forma direta e segura; os atores Christian Bale (Batman Begins) e Russell Crowe (O Gângster) dão um show de interpretação e testosterona, hormônio fundamental nesse tipo de produção. Porém, além de serem personagens típicos do Velho Oeste, não deixam de lado os sentimentos de um simples mortal, mas sem “dar bandeira”, claro. A dupla emociona e transmite a mensagem sem precisar dizer nenhuma palavra.

Como já foi dito, Os Indomáveis é um filme de bangue-bangue e, obviamente, distribui tiros para quem aparecer na frente. Mas, para quem não gosta de tiroteios, isso não deve desanimar. A história e os personagens são muito envolventes e, apesar de ter mais de duas horas de duração, o tempo passa rápido, deixando um gostinho de “quero mais”, principalmente por ter um final surpreendente e emocionante. Com certeza, Os Indomáveis fará novos fãs de faroeste.

News >> Surpresa para produtores, "Ratatouille" é favorito ao Oscar

Quando os produtores de "Ratatouille" começaram a fazer o filme, eles se questionaram quem em sã consciência pagaria para assistir a um filme animado sobre um rato cozinhando em um restaurante francês de alto nível.

"Ainda estamos nos perguntando isso", disse o produtor Brad Lewis, apesar de o filme da Disney/Pixar ter rendido 620 milhões de dólares nas bilheterias mundiais, e apesar das previsões que vá conquistar o Oscar de melhor filme de animação de 2007 neste domingo.

O especialista nos Prêmios da Academia Tom O'Neil descreveu o filme como "o maior queijo do concurso. 'Ratatouille' lidera o ranking crítico entre todos os filmes deste ano: 93 por cento dos críticos gostaram. Deveria ter sido indicado para o prêmio de melhor filme".

Até hoje apenas um desenho animado foi indicado ao Oscar de melhor filme: "A Bela e a Fera", de 1991, mas não levou o prêmio.

A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas criou uma categoria separada para os longas-metragens de animação e começou a indicar filmes nesse quesito em 2001.

"Ratatouille" é considerado o favorito na disputa deste ano, mas enfrenta a concorrência forte de "Persépolis", filme francês sobre a revolta de uma estudante contra a repressão às mulheres no Irã islâmico, e "Tá Dando Onda", sobre pinguins surfistas.

Os três filmes conquistaram o respeito da crítica e elogios de outros animadores.

As autoridades francesas gostaram tanto de "Persépolis" que o escolheram como candidato da França ao Oscar de melhor filme em língua estrangeira, mas ele não foi indicado na categoria e acabou sendo indicado para o Oscar de melhor animação.

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