Ao anunciar que Robert De Niro interpretaria dois dos mais notórios chefes da máfia — Frank Costello e Vito Genovese — em um mesmo filme, era natural que as expectativas em torno de The Alto Knights: Máfia e Poder fossem altas. Dirigido por Barry Levinson, responsável por clássicos como Rain Man, o longa prometia resgatar a atmosfera dos épicos mafiosos que marcaram o cinema. No entanto, o que se esperava ser uma obra grandiosa revela-se, em sua execução, um exercício cansado de nostalgia sem o vigor necessário para se sustentar.
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26 março 2025
Análise Crítica :: The Alto Knights: Máfia e Poder
Ao anunciar que Robert De Niro interpretaria dois dos mais notórios chefes da máfia — Frank Costello e Vito Genovese — em um mesmo filme, era natural que as expectativas em torno de The Alto Knights: Máfia e Poder fossem altas. Dirigido por Barry Levinson, responsável por clássicos como Rain Man, o longa prometia resgatar a atmosfera dos épicos mafiosos que marcaram o cinema. No entanto, o que se esperava ser uma obra grandiosa revela-se, em sua execução, um exercício cansado de nostalgia sem o vigor necessário para se sustentar.
Análise Crítica :: Branca de Neve
Dirigido por Marc Webb, o filme é uma tentativa ambiciosa, mas problemática, de reinventar o clássico da Disney para os tempos modernos. Apesar da expectativa em torno do filme e de seu generoso orçamento, a produção tropeça em diversos pontos que comprometem a experiência do público — especialmente os fãs mais nostálgicos do longa de 1937.
Análise :: “Capitão América: Admirável Mundo Novo” – Um escudo pesado demais para carregar
“Capitão América: Admirável Mundo Novo” é, infelizmente, mais um capítulo morno em uma fase do Universo Cinematográfico da Marvel que parece cada vez mais perdida entre a ambição e a execução. Mesmo com a estreia oficial de Sam Wilson (Anthony Mackie) como o novo Capitão América, o filme falha em entregar a relevância, coesão e impacto emocional que se espera de um título com esse peso.
01 maio 2015
Análise :: Noite Sem Fim, com Liam Neeson
SÃO PAULO (Reuters) - Os mafiosos, estes coitados, já deveriam saber que com Liam Neeson não se brinca. O ator que emergiu nos últimos anos em thrillers de ação, blindado com personagens mortíferos, mostra mais uma vez seu vigor veterano em "Noite Sem Fim", dirigido pelo espanhol Jaume Collet-Serra, com quem já trabalhou em "Desconhecido" (2011) e "Sem Escalas" (2014).
De fato, Neeson entrega o que promete, nas mais violentas e sanguinárias cenas com lutas, perseguição e tiros, nas quais elimina um a um seus inimigos. Contabilizados também a trilogia "Busca Implacável" e o suspense policial "Caçada Mortal" (2014), mostra um trabalho eficiente, mas unidimensional, em que se repete em estilo e performance nos últimos anos.
Desta vez, ele é Jimmy Colson, um matador de aluguel da máfia irlandesa que anestesia sua culpa pelas dezenas de mortes nas costas em litros de uísque. Ele anda meio encostado, daí ser motivo de chacota do grupo, e só está vivo porque é amigo de juventude do líder Shaw Maguire (Ed Harris).
Porém, precisará ficar sóbrio quando seu filho, o honesto Mike (Joel Kinnaman, o último "Robocop") testemunha um brutal assassinato cometido por Danny (Boyd Holbrook, de "A Hospedeira"), filho mimado e criminoso de Shaw. Não demora muito para Jimmy se meter na história para salvar seu filho.
Na linha olho por olho, Jimmy terá 16 horas para salvar Mike do vingativo mafioso, tempo em que espera eliminar toda a máfia e se entregar para o detetive Harding (Vincent D'Onofrio), o último policial honesto. Se conseguir, fará as pazes com seu passado e com o próprio Mike, que foi abandonado ainda criança.
O roteiro enxuto prioriza a ação e não se propõe a dar muitas explicações sobre o que se vê na tela. Conciso até demais, como no caso da agilíssima transformação do protagonista, que em poucos minutos passa de alcoólatra depressivo a um verdadeiro Bryan Mills (uma comparação ao seu personagem enérgico de "Busca Implacável").
As qualidades, assim, concentram-se na produção (com boas sequências e bem-arrematados efeitos visuais), na tensão narrativa e no trabalho do elenco, em especial de Harris, no cruel jogo de lealdade que seu personagem trava com seu agora rival. Mesmo assim, não deixa de ser um projeto mediano, que aproveita o bom momento de Neeson em filmes do gênero.
(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)
Análise :: Cake - Uma Razão de Viver, com Jennifer Aniston
SÃO PAULO (Reuters) - Entrando na maturidade, Jennifer Aniston deixa de lado as comédias que a tornaram famosa, a série “Friends” liderando a lista, para adotar uma personagem decididamente sofrida e antipática no drama “Cake – Uma Razão de Viver” – um esforço que lhe valeu algumas indicações a prêmios, inclusive ao Globo de Ouro de atriz dramática.
Não que faltem alguns clichês no caminho. Mas o filme dirigido por Daniel Barnz, roteirizado por Patrick Tobin, traduz o esforço de não atolar neles, criando uma narrativa em que sua protagonista, Claire Bennett (Jennifer), tenta achar a saída de um demorado calvário.
Ao não contar logo a razão da solidão, das cicatrizes e das dores crônicas de Claire, tenta-se apenas não entregar tudo cedo demais – embora ao longo do caminho tudo fique muito claro, sem necessidade de ênfase. Claire sofreu um acidente e uma grande perda e, por isso, faz parte de um grupo de apoio, que ela frequenta com grande resistência.
Rejeitando o marido (Chris Messina), ela vive sozinha numa grande casa com a fiel empregada mexicana, Silvana (Adriana Barraza), que é uma reserva infinita de afeto e paciência.
Quando dentro do grupo de apoio acontece um suicídio, Claire é, novamente, confrontada com a ideia da morte – que, aliás, nunca a abandona, ainda mais tendo à mão tantos remédios.
Ironicamente, a perplexidade em torno desta morte é que a leva a percorrer outros caminhos, indo ao encontro de pessoas com seu próprio passivo a lidar.
No relacionamento de Claire com uma dessas pessoas, Roy (Sam Worthington), é que a história cria suas possibilidades mais interessantes, ainda mais abrindo mão da tentação de fechar todos os dramas num relacionamento amoroso magicamente salvador.
A viagem de Claire e Silvana ao México em busca de medicamentos de uso controlado nos EUA é uma boa chance para discutir diferenças sociais e preconceitos, contando com a inspiração desta excelente intérprete mexicana que é Adriana Barraza, vista em “Amores Brutos”.
Há episódios sem muita função narrativa – como a caronista inesperada – e talvez algumas situações se prolonguem ou não rendam tão bem (como as participações surreais de Anna Kendrick). Mas, no todo, “Cake...” é uma chance de ouro para Jennifer Aniston, ela sabe disso e aproveitou até a última gota, crescendo como atriz.
(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)
Análise :: Entre Abelhas, com Fábio Porchat
SÃO PAULO (Reuters) - A presença de Fábio Porchat e do diretor Ian SBF – ambos do humorístico "Porta dos Fundos" e autores do roteiro aqui – pode enganar e levar a pensar que "Entre Abelhas" é uma comédia, mas não é o caso. Até há humor, mas o longa é, a princípio, um filme sério.
Porchat é Bruno, um rapaz melancólico que acaba de se separar de sua mulher, Regina (Giovanna Lancellotti), e volta para a casa da mãe (Irene Ravache). Além das dificuldades de readaptação, ele começa a ter outros problemas. Sem qualquer explicação, tropeça "no ar", encontra obstáculos na porta e etc. Logo, o protagonista percebe que está deixando de ver as pessoas.
Numa foto sempre aberta em seu computador, dia após dia vê seus amigos desaparecerem. Quando confessa à sua mãe o que está acontecendo, ela resolve fazer alguns testes, e conta com a ajuda de um atendente (Luis Lobianco, também do "Porta dos Fundos"). A conclusão é a esperada: Bruno está perdendo a capacidade de ver as pessoas.
Essa premissa poderia ser o ponto de partida para uma comédia, mas, como já dito, "Entre Abelhas" tem o drama como seu gênero principal. O filme parece querer filosofar sobre o esmaecimento dos laços de afeto em nosso tempo, sobre como as pessoas estão perdendo o contato umas com as outras a ponto de se tornarem "invisíveis". Enfim, nada de novo, nada que não tenha sido dito antes e de forma melhor.
O problema não é a opção pelo drama, mas a forma como isto se dá. Os personagens são rasos e pouco empáticos. Por que deveríamos nos importar com um sujeito sem graça como Bruno? Não que ele precisasse ser um cara alegre, mas como personagem precisava despertar um sentimento de compaixão e cumplicidade com a plateia. Porchat se esforça – e quase consegue –, mas Bruno é anódino demais.
O lado cômico no filme fica por conta da prostituta vivida por Letícia Lima e do melhor amigo de Bruno, interpretado por Marcos Veras – ambos também do humorístico da Internet/televisão. O personagem deste amigo é uma tentativa forçada de fazer rir, usando o clichê do macho sem limites ou pudor, mas tudo soa tão deslocado que se torna ofensivo.
"Entre Abelhas" parece um filme cheio de boa vontade – de divertir, de falar de nosso tempo e etc – porém mal-articulado, com todas as suas colocações no lugar errado, desperdiçando um mote interessante, que merecia um tratamento mais bem-resolvido.
(Por Alysson Oliveira, do Cineweb)
25 abril 2015
Análise :: Vingadores: Era de Ultron
Vingadores: Era De Ultron é espetacular visualmente, divertido e mantém o alto nível das produções anteriores da Casa das Ideias. É feito para os fãs do Universo Marvel e marca de forma definitiva o fim de uma era e o início de uma novafase do estúdio. Além disso, vai deixar muita gente de boca aberta com eventos tensos e ação empolgante. Mesmo assim, não supera o primeiro e, na realidade, não chega perto de causar o mesmo impacto e carisma de Guardiões Da Galáxia, inesperado sucesso da empresa.
Após os eventos dos últimos filmes, não é surpresa ver os Vingadores unidos para manter a Terra a salvo. Sem a S.H.I.E.L.D., desmantelada durante a trama de Capitão América: O Soldado Invernal, e com a H.I.D.R.A. mais ativa do que nunca, era de se esperar que encontraríamos os heróis enfrentando os terroristas em busca do Cetro de Loki. Entretanto, é exatamente essa preocupação em se meter em assuntos mundiais que faz a equipe se tornar o centro das atenções e, muitas vezes, do ódio de muitos.
É assim que conhecem dois de seus novos inimigos, os irmãos Maximoff, apresentados pela primeira vez na cena pós-créditos de Capitão América 2 e grandes adições ao elenco (apesar do sotaque). Odiados pelos poderosos irmãos, os Avengers são manipulados por Feiticeira Escarlate, um personagem realmente interessante, que coloca em ação eventos que podem causar a ruína da equipe. Para piorar, Tony Stark, com a ajuda de tecnologia alienígena, cria Ultron para proteger o mundo, conforme vimos incansavelmente nos trailers, e, a partir daí, as coisas desandam de vez...
02 novembro 2011
Análise :: Contágio (Contagion)
Ao assistir a Contágio, nota-se claramente a intenção de Steven Soderbergh de fazer um novo Traffic. Neste, personagens realistas em tramas paralelas desenham um panorama do tráfico de drogas nos Estados Unidos. Em Contágio, Soderbergh usa a mesma técnica multiplot para mostrar o que aconteceria se um vírus mortal causasse uma epidemia global. O problema, no caso, é que o filme não apresenta a regularidade de Traffic nem uma curva dramática sólida. É como um avião a taxiar na pista sem nunca decolar.
A produção carece de investimento emocional e assemelha-se a um desses documentários que assistimos no Discovery Channel. Retrata um surto viral com potencial para acabar com a humanidade, mas é surpreendentemente sem suspense ou emoção. Tudo parece servir ao propósito único de mostrar quão importantes são para a humanidade os órgãos de controle de epidemias do governo americano. Não à toa, fiquei surpreso ao ler por aí que Contágio é um "filme de terror inteligente", um thriller. Pura bobagem. Soderbergh ainda engana muita gente. Mas não a todos... (continua)
Análise :: Gigantes de Aço (Real Steel)
Num futuro muito próximo, as lutas de boxe não são mais travadas por humanos, mas por robôs. Em busca de dinheiro, um ex-boxeador endividado tenta arranjar uma luta paga para o seu robô, mesmo que ele seja de um modelo ultrapassado e decadente.
A sinopse acima cabe perfeitamente em dois filmes: a supeprodução spielberguiana Gigantes de Aço e o episódio Steel, de 1963, do seriado de TV Além da Imaginação. Sem problemas. Todos sabem que Spielberg, produtor executivo do filme, não só é louco por televisão, como começou sua carreira e sua formação profissional trabalhando em produções para a tela pequena. Mas pelo menos ele poderia ter dado o devido crédito a William Matheson, roteirista do antigo episódio... (continua)
25 outubro 2011
Análise :: Amizade Colorida (Friends With Benefits)
Não adianta acusar Amizade Colorida de plagiar Sexo sem Compromisso. Bem antes desses dois longas, muitos outros abordaram o tradicional tema da relação sexual sem afeto ou dos limites da transa sem envolvimento emotivo.
Amizade Colorida não parece, sequer, ambientado no mundo real, mas sim dentro de um mundo paralelo chamado cinema. As situações pelas quais passam os personagens de Justin Timberlake e Mila Kunis reverberam na longa tradição de comédia romântica do cinema americano.
Não é à toa, então, que acima da cama do rapaz esteja pendurado um cartaz de Aconteceu Naquela Noite, filme que Frank Capra, americano por excelência (mesmo tendo nascido na Itália), fez em 1934. Claro que Will Gluck não é Capra – e nem é a pretensão deste texto colocá-lo no mesmo patamar –, mas está claro que a tentativa de falar não só a um público interessado numa história de amor água com açúcar e supostamente moderna, mas ironizar seus pares, os realizadores que por muitas décadas repetiram (e repetem) os mesmos enredos e convenções... (continua)
Amizade Colorida não parece, sequer, ambientado no mundo real, mas sim dentro de um mundo paralelo chamado cinema. As situações pelas quais passam os personagens de Justin Timberlake e Mila Kunis reverberam na longa tradição de comédia romântica do cinema americano.
Não é à toa, então, que acima da cama do rapaz esteja pendurado um cartaz de Aconteceu Naquela Noite, filme que Frank Capra, americano por excelência (mesmo tendo nascido na Itália), fez em 1934. Claro que Will Gluck não é Capra – e nem é a pretensão deste texto colocá-lo no mesmo patamar –, mas está claro que a tentativa de falar não só a um público interessado numa história de amor água com açúcar e supostamente moderna, mas ironizar seus pares, os realizadores que por muitas décadas repetiram (e repetem) os mesmos enredos e convenções... (continua)
15 outubro 2011
Análise :: Winter, O Golfinho (Dolphin Tale)
De onde vem essa necessidade do cinema se colocar, e o espectador aceitar, como uma letárgica injeção de morfina? Será que o mundo aí fora está tão ruim que o cinemão americano se sente na missão de dissociar o espectador de qualquer laço com a realidade, colocando-o num estágio paralelo de completa abscência de sensibilidade?
Não falo do óbvio poder lúdico cinematográfico ou de seu encantamento. Não se trata de alumbramento, mas de torpor. São duas coisas diferentes: o primeiro recorre à poesia, o segundo a códigos racionais. A música, nesse pacto do entorpecimento proposto por filmes como Winter, O Golfinho (veja o trailer), é peça-chave.
Parece que esse movimento de dar conforto letárgico ao espectador vem, no cinema, desde muito. Em parte, é possível enxergar assim a obra de Frank Capra: um filme como A Felicidade Não se Compra (1946) devolve todo o orgulho perdido do espectador americano e sua autoestima com a vida. Claro, há de se ressalvar o momento histórico da sua obra, pré e pós-Segunda Guerra Mundial... (continua)
14 outubro 2011
Análise :: A Hora do Espanto (Fright Night)
A pergunta é sempre a mesma: vale a pena refazer filmes de sucesso? Para os produtores, geralmente, sim. Eles já vão para o mercado com a vantagem de trabalhar um título conhecido, e contam com a certeza de um bom volume de mídia gratuita, já que as comparações serão inevitáveis. E isso sempre dá matéria. Já para a chamada cinefilia, ou seja, para o prazer de quem curte cinema, geralmente não, pois também é praticamente inevitável que o remake já nasça com um sabor requentado.
Este novo A Hora do Espanto, versão 2011 do terror homônimo de 1985, reacende a questão. Vale a pena? A boa notícia é que o filme é digno para com seu antecessor. Consegue segurar um bom clima de suspense e terror durante toda a trama, traz um humor equilibrado nos momentos adequados, trabalha com um elenco eficiente e homogêneo, e ainda faz do sempre bom Colin Farrell um vampiro dos mais críveis e descolados...
08 outubro 2011
Análise >> O Zelador Animal (The Zookeeper)
NOTA: 4/10
Quem viu Segurança de Shopping pode até pensar que se trata de uma continuação. Não é, mas poderia ser, tamanha a semelhança entre os protagonistas dos dois filmes, aliás, ambos vividos pelo mesmo Kevin James.
Neste O Zelador Animal, Kevin vive o personagem-título, um sujeito boa gente, amigão, que há 15 anos trabalha na mesma função. A do título, é claro. Ele está cegamente apaixonado por Stephanie (Leslie Bibb), uma perua superficial que exige que ele largue o emprego, se quiser casar. E ele quer...
06 outubro 2011
Análise >> Sem Saída (Abduction)
NOTA: 7/10
De cara, Sem Saída (Abduction, 2011) enfrenta um preconceito de alguns públicos: Taylor Lautner está no elenco e é a estrela. No entanto, Alfred Molina, Maria Bello e Sigourney Weaver também estão e compensam.
A velha escola se destaca, mas trata-se de um filme que atende a demanda juvenil, portanto o investimento recai sobre a nova safra hollywoodiana, exibindo não só Lautner como também a atriz e apresentadora teen Lily Collins, filha do cantor Phil Collins. Resta ao público mais exigente aceitar.
O longa é eletrizante, abarrotado de ação cujos finalmentes terminam constantemente em indagações, tanto para os personagens quanto para o espectador. Dirigido pelo indicado ao Oscar John Singleton, esta obra promete faturar nas bilheterias...
De cara, Sem Saída (Abduction, 2011) enfrenta um preconceito de alguns públicos: Taylor Lautner está no elenco e é a estrela. No entanto, Alfred Molina, Maria Bello e Sigourney Weaver também estão e compensam.
A velha escola se destaca, mas trata-se de um filme que atende a demanda juvenil, portanto o investimento recai sobre a nova safra hollywoodiana, exibindo não só Lautner como também a atriz e apresentadora teen Lily Collins, filha do cantor Phil Collins. Resta ao público mais exigente aceitar.
O longa é eletrizante, abarrotado de ação cujos finalmentes terminam constantemente em indagações, tanto para os personagens quanto para o espectador. Dirigido pelo indicado ao Oscar John Singleton, esta obra promete faturar nas bilheterias...
Análise >> Contra o Tempo (Source Code)
Nota: 9/10
Duncan Jones se estabeleceu em Hollywood após comandar sua obra de estreia, Lunar, deixando, de uma vez por todas, de ser apenas o filho de David Bowie.
Com talento e inventividade o diretor mostrou que tinha futuro na indústria cinematográfica surpreendendo toda a crítica com uma ficção-científica de baixo orçamento, mas muito bem orquestrada, e que garantiu para o ator Sam Rockwell um das grandes atuações de sua carreira...
Duncan Jones se estabeleceu em Hollywood após comandar sua obra de estreia, Lunar, deixando, de uma vez por todas, de ser apenas o filho de David Bowie.
Com talento e inventividade o diretor mostrou que tinha futuro na indústria cinematográfica surpreendendo toda a crítica com uma ficção-científica de baixo orçamento, mas muito bem orquestrada, e que garantiu para o ator Sam Rockwell um das grandes atuações de sua carreira...
08 junho 2008
Análise >> As Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian (The Chronicles Of Narnia: Prince Caspian)
Continuação de As Crônicas de Nárnia: O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa, de 2005, Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian é muito adulto do que o longa anterior. Baseado no quarto livro da série escrita por C.S. Lewis, o longa leva os irmãos Pevensie novamente às mágicas terras de Nárnia, dando um salto de 1.300 anos narnianos na história após a volta dos Pevensie à Inglaterra, ocorrida no filme anterior.Em Crônicas de Nárnia: Príncipe Caspian - novamente dirigido por Andrew Adamson, o mesmo diretor do primeiro longa -, Pedro (William Moseley), Susana (Anna Popplewell), Lúcia (Georgie Henley) e Edmundo (Skandar Keynes) seguiram com suas vidas, mas os reis de Nárnia são convocados novamente ao reino para salvar seu povo do domínio dos telmarinos... (clique abaixo para ler mais)
03 março 2008
Análise >> Rambo IV (Rambo)
Quem já conhece a série de filmes protagonizada por Sylvester Stallone já sabe o que esperar de Rambo IV. Porém, obviamente, seria impossível fazer um herói igual ao de 20 anos atrás. Afinal, nossa estrela está com 61 anos e até confessou o uso de hormônios durante as filmagens para ganhar massa muscular. Para compensar a idade do astro, uma enxurrada de sangue invade a tela, tornando o filme mais violento do herói – o que não é sinônimo de qualidade. Além de protagonizar, Stallone está à frente da direção, roteiro e produção do longa-metragem.O solitário John Rambo (Stallone) parece ter desistido de lutar contra seus conflitos interiores e vive isolado no norte da Tailândia, levando uma vida simples e solitária nas montanhas. Apático e alheio aos problemas que o cercam, como a guerra civil na Birmânia, ele sobrevive pescando e capturando cobras venenosas para venda. Um grupo de missionários fica sabendo sobre as habilidades do herói norte-americano e pede para levá-los pelo rio Salween até os refugiados da tribo Karene, já que o caminho por terra se tornou extremamente perigoso por causa das minas terrestres...
24 fevereiro 2008
Análise >> Senhores do Crime (Eastern Promises)
Depois do ótimo Marcas da Violência, o diretor canadense David Cronemberg e o ator nova-iorquino (filho de pai dinamarquês) Viggo Mortensen voltam novamente a trabalhar juntos. E, outra vez, com excelentes resultados. Em Senhores do Crime, Cronemberg troca o árido interior norte-americano de seu filme anterior pela nublada e chuvosa Londres para contar novamente uma intrigante trama de traição, vingança e violência. Mas com charme e fineza cinematográfica.A história mostra Anna (a inglesa Naomi Watts, de King Kong), uma enfermeira que se enternece com o nascimento de uma garotinha órfã no hospital onde trabalha. Ela presencia o parto da menina e a conseqüente morte da mãe - uma adolescente viciada em drogas - e não consegue manter o distanciamento profissional nesta situação tão trágica. Anna se envolve pelos fatos e sai solitária em busca de informações que possam localizar algum parente do bebê. Um diário escrito em russo encontrado na bolsa da mãe morta faz a ponte entre a bem intencionada enfermeira e o implacável esquema criminoso da máfia russa sediada na capital inglesa...
(Clique abaixo em "Leia mais..." para ler a análise completa do filme)
Senhores do Crime contrapõe o homem comum (no caso, a mulher), frágil, isolado e solitário junto ao poder quase ilimitado de organizações criminosas que agem não mais à margem da sociedade, mas livremente dentro dela. O perigo mora ao lado e o poder público, que deveria se manifestar pela lei e pela ordem, parece cada vez mais um ideal dos mais distantes a ser alcançado.
O tema explosivo é tratado com elegância pelo competente Cronemberg, que vem ultimamente abandonando seu cinema de aberrações, construído pela fama de filmes como A Mosca e Gêmeos – Mórbida Semelhança, só para citar dois exemplos. Aqui, os personagens são contidos, fleugmaticamente britânicos. Quase gélidos. Uma nuvem de decepção e tristeza parece pairar sobre todos e cada um deles, em seu devido tempo, terá sua história desvendada pelo ótimo roteiro. A cidade de Londres também assume um papel importante na criação deste clima, graças também à bela luz encontrada pelo veterano diretor de fotografia polonês Peter Suschitzky, habitual colaborador de Cronemberg e fotógrafo, entre outros, de Star Wars: Episódio V - O Império Contra-Ataca.
Esbarrando nas tradições clássicas do film noir, Senhores do Crime conta ainda com um excelente e multinacional elenco de peso, que, além de Naomi e Mortensen (indicado ao Oscar de Melhor Ator por este filme), traz também papéis de destaque para o alemão Armin Mueler-Stahl (de Avalon) e o francês Vincent Cassel, que estará no próximo filme do brasileiro Heitor Dhalia.
A lamentar, somente o título em português. Senhores do Crime, além de sugerir apenas mais um filme comercial de ação e pancadaria (o que está longe de ser o caso), perde a chance de traduzir o poético Eastern Promises, algo como “promessas do leste”.
22 fevereiro 2008
Análise >> Os Indomáveis (3:10 to Yuma)
Os Indomáveis é uma excelente refilmagem de Galante e Sanguinário, clássico faroeste de 1957. Sob a direção de James Mangold (Johnny & June), o longa ressuscita o gênero de maneira exemplar. Apesar dos westerns nunca terem morrido totalmente por causa de grandes produções, como Os Imperdoáveis (1992), de Clint Eastwood, nas décadas de 50, 60 e 70 eram febre nos cinemas e um de seus maiores astros era John Wayne.Dan Evans (Christian Bale) é um veterano da Guerra Civil norte-americana extremamente honesto, que tenta sustentar sua esposa e dois filhos por meio de um rancho que sofre problemas com a seca. Endividado, seu filho mais velho William (Logan Lerman) não se conforma com a atitude do pai e vive criticando sua posição passiva diante do problema. Para provar que é um homem corajoso e, ainda por cima, ganhar um bom dinheiro, Evans se oferece para escoltar o maior fora-da-lei do Velho Oeste: Ben Wade (Russell Crowe). Líder de uma quadrilha de assaltantes e assassinos impiedosos, ele é capturado com a ajuda do próprio Evans e tem de ser levado no trem das 3h10 para Yuma - daí o título original 3:10 to Yuma -, onde será julgado e enforcado...
(Clique abaixo em "Leia mais..." para ler a análise completa do filme)
A viagem não será nada fácil. Além dos membros da gangue que querem libertar Wade, Evans terá de defender a vida do prisioneiro de vários outros perigos. Tantas ameaças fazem com que eles se aproximem de uma maneira bem peculiar.
Todo bom filme de faroeste deve seu sucesso a um talentoso ator e um competente diretor que saiba permear as cenas de ação sem cansar o público, seja com o excesso ou com ausência de tiros. Afinal, o roteiro sozinho, por mais bem elaborado que seja, não segura um western. No caso de Os Indomáveis, o pacote vem completo. Mangold cumpre muito bem sua função, de forma direta e segura; os atores Christian Bale (Batman Begins) e Russell Crowe (O Gângster) dão um show de interpretação e testosterona, hormônio fundamental nesse tipo de produção. Porém, além de serem personagens típicos do Velho Oeste, não deixam de lado os sentimentos de um simples mortal, mas sem “dar bandeira”, claro. A dupla emociona e transmite a mensagem sem precisar dizer nenhuma palavra.
Como já foi dito, Os Indomáveis é um filme de bangue-bangue e, obviamente, distribui tiros para quem aparecer na frente. Mas, para quem não gosta de tiroteios, isso não deve desanimar. A história e os personagens são muito envolventes e, apesar de ter mais de duas horas de duração, o tempo passa rápido, deixando um gostinho de “quero mais”, principalmente por ter um final surpreendente e emocionante. Com certeza, Os Indomáveis fará novos fãs de faroeste.
21 fevereiro 2008
Pré-análise >> "Senhores do Crime" retrata bastidores da máfia russa
O diretor David Cronenberg e o roteirista Steven Knight se apropriam de alguns clichês do gênero -- como um herdeiro incompetente e um esperto homem de confiança do patriarca -- para levar o longa a outro patamar, acima da média e longe de obviedades.O espectador entra neste submundo na companhia de Anna (Naomi Watts), uma parteira que, sem querer, envolve-se com os mafiosos. É um mundo que fascina e assusta nas mesmas proporções.
A história acontece basicamente entre o Natal e o Ano Novo, começando com o nascimento de uma menina sob os cuidados de Anna e a morte da mãe da bebê. A parteira encontra o diário da moça, que era russa, e espera achar alguma pista sobre sua família...
(Leia a pré-análise completa clicando abaixo no link "Leia mais...")
(A análise final já foi publicada: clique aqui)
O diário está em russo, mas Anna tem um tio que fala a língua e vai ajudá-la na tradução. O cartão de um restaurante perdido dentro do caderno pode ser uma pista preciosa sobre quem é a moça que morreu no parto.
Ao chegar ao local, Anna percebe que o ambiente é familiar e aconchegante, comandado pelo patriarca Semyon (Armin Mueller-Stahl). Mas também não demora muito a perceber que ele é um chefão da "vory v zakone", a máfia russa, e chefia as operações de dentro de seu estabelecimento, que serve como fachada.
Cercando o patriarca, há o filho herdeiro incompetente Kirill (Vincent Cassel) e o homem capaz de fazer o serviço sujo e limpar a sujeira, Nikolai, interpretado com sutileza por Viggo Mortensen, que já havia trabalhado com o diretor em "Marcas da Violência" (2005).
Como o outro filme assinado pelo roteirista Knight, "Coisas Belas e Sujas", este é um drama sobre questionamentos morais, tráfico de pessoas e as misérias humanas que emergem da sordidez.
Em "Senhores do Crime", o tema central é o comércio sexual que ganhou contornos globais, em especial envolvendo moças da antiga União Soviética.
Através do diário da morta, Anna e seu tio ficam sabendo mais do que deveriam. Ele prefere que ela esqueça tudo e finja que nada aconteceu. Mas a parteira está obcecada com as circunstâncias do nascimento daquele bebê e não desiste.
Nesta jornada de Anna, Nikolai é tanto o anjo da guarda, quanto o exterminador. Como fazia em "Marcas da Violência", Mortensen opera em duplo sentido. Pouco se sabe ao certo quem ele é ou como trabalha.
Suas tatuagens -- o sinal de status dentro da organização -- podem dar uma pista, mas, no fundo, ele pode ser uma pessoa tão obcecada quanto Anna.
"Senhores do Crime" resulta de uma combinação peculiar: o humanismo do roteiro de Knight com a meticulosidade da direção de Cronenberg, que nunca traz uma nota de consolo.
O resultado causa estranheza e, num primeiro momento, o filme pode parecer frio. Com o passar do tempo, aspectos sombrios e também sublimes da natureza humana ficam mais nítidos.
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